Brasil Está Virando à Direita? Flávio Bolsonaro Vence o Primeiro Turno
É com enorme entusiasmo que anuncio que, no último domingo, o Brasil, gigante da América Latina, parece estar seguindo os passos de vários outros...
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É com enorme entusiasmo que anuncio que, no último domingo, o Brasil, gigante da América Latina, parece estar seguindo os passos de vários outros países latino-americanos e se deslocando para a direita. No primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado em 4 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro ficou à frente, com 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos (45,16%) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com 100% das urnas apuradas, esses são os resultados definitivos do primeiro turno.
Não consigo imaginar um acontecimento político mais importante na América Latina desde a vitória de Javier Milei na Argentina. Com mais de 200 milhões de habitantes e a maior economia da região, uma guinada do Brasil à direita muda completamente o jogo, e a transformação política da América Latina em direção à direita agora parece imparável. Uma vitória de Flávio Bolsonaro daqui a três semanas traria reformas pró-mercado e voltadas ao fortalecimento da segurança pública para o Brasil, consolidando a guinada à direita na América Latina.
Flávio é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a maioria das principais pesquisas eleitorais divulgadas às vésperas da eleição apontava Lula à frente ou um empate técnico. A última pesquisa do Datafolha, realizada entre 2 e 3 de outubro de 2026, colocava Lula três pontos percentuais à frente. Mas os brasileiros foram às urnas e reverteram esse cenário. Mais uma vez, a maioria dos analistas políticos não conseguiu perceber o desejo de mudança na região. Não tenho dúvidas de que Flávio concluirá o trabalho em 25 de outubro de 2026 e dará ao Brasil a oportunidade de um grande recomeço.
Neste artigo, vou analisar os números do primeiro turno e as propostas de cada candidato, além de explicar o que um Brasil governado pela direita significa para expats e investidores na região.
Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula venceu em 12 estados. Ele também conquistou Minas Gerais, com 48,2% dos votos contra 43,3% de Lula, em um estado que votou no candidato que acabou vencendo todas as eleições presidenciais desde 1989. Eu não apostaria contra a continuidade dessa tendência.
Na manhã seguinte, nossos contatos no Brasil estavam confiantes. Segundo eles, Flávio tem tudo o que precisa para manter a liderança, já que a maioria dos eleitores dos outros candidatos de direita deve migrar para ele no segundo turno. E os números reforçam essa avaliação.
Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema concorreram como candidatos de direita e, juntos, conquistaram cerca de 4,7% dos votos válidos, o equivalente a aproximadamente 5,6 milhões de eleitores. Mantendo-se um comparecimento semelhante ao do primeiro turno, Flávio precisa de cerca de 3,5 milhões de votos adicionais para ultrapassar os 50%. Lula, por sua vez, precisa conquistar quase 5,8 milhões de votos.
Isso significa que Lula teria de conquistar praticamente todos os 3,4 milhões de brasileiros que votaram em Augusto Cury, um candidato de centro que se apresentou como uma terceira via e cujos apoiadores favoráveis ao setor empresarial estão longe de ser aliados naturais de Lula. Além disso, precisaria atrair outros dois milhões de votos da direita. Até a noite de domingo, nenhum dos candidatos menos votados havia declarado apoio a um dos dois finalistas.

O segundo turno das eleições presidenciais no Brasil não é apenas uma disputa entre dois candidatos, mas entre dois caminhos muito diferentes para o país em termos de economia, segurança pública e política externa.
Flávio tem 45 anos e representa o Rio de Janeiro no Senado desde 2019. Seu programa econômico aponta para um Estado menor. Flávio propõe extinguir 10 ministérios e reduzir os gastos públicos, além de estabelecer um novo teto de gastos do governo para conter a dívida pública. Ele promete impostos mais baixos e menos regulamentações. As privatizações também estão de volta à pauta, depois que Lula retirou os Correios e outras empresas estatais da lista de privatizações em 2023. Flávio também quer digitalizar os serviços públicos para evitar que investidores estrangeiros fiquem atolados na burocracia brasileira.
A segurança pública ocupa um lugar central na campanha porque também está no centro das preocupações dos brasileiros. Em uma pesquisa Quaest realizada em setembro de 2026, 31% dos eleitores apontaram a violência como sua maior preocupação, à frente da corrupção e da economia. Flávio prometeu construir presídios e aumentar as penas, além de retomar a presença do Estado em comunidades controladas por facções criminosas. Ele quer que as maiores facções sejam classificadas como organizações terroristas e já apontou El Salvador, sob o governo de Bukele, como sua inspiração.
Durante uma visita à Casa Branca, em maio de 2026, Flávio prometeu a Trump que o Brasil aderiria ao Escudo das Américas. Seus planos comerciais vão ainda mais longe. Em uma carta enviada ao Representante Comercial dos Estados Unidos, em julho de 2026, ele defendeu que o Brasil deveria se libertar das restrições do Mercosul e negociar diretamente com Washington, usando como modelo o acordo firmado por Milei. O objetivo seria conquistar um acordo de livre comércio e uma parceria para a exploração de terras raras.
Ele também aprendeu com os erros do pai. O Centrão é um bloco de partidos que negocia apoio político em troca de cargos e influência e acaba decidindo o que é aprovado no Congresso Nacional. Jair passou a primeira metade de seu mandato enfrentando esse grupo antes de recorrer a ele em busca de apoio. Flávio, por outro lado, está buscando uma aproximação desde o início, argumentando que um presidente sem maioria no Congresso não consegue fazer praticamente nada. Os investidores deveriam considerar essa a mensagem mais importante de sua campanha, pois somente as reformas aprovadas pelo Congresso conseguem sobreviver ao mandato do presidente que as propôs.
Lula fez campanha com a velha fórmula de gastar primeiro e deixar a conta para os contribuintes pagarem depois. Em 2026, o governo Lula anunciou uma série de medidas em ano eleitoral que, segundo estimativas da Folha de S.Paulo, poderiam custar cerca de R$ 215 bilhões (aproximadamente US$ 41 bilhões).
Os brasileiros pagam por essa generosidade por meio das altas taxas de juros. Economistas alertaram que a expansão fiscal estava indo na contramão da política monetária, e o Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 15% entre junho de 2025 e março de 2026. O Brasil não registrava juros tão altos havia quase duas décadas, e a Selic ainda estava em 14% em agosto. As projeções do mercado apontavam para um crescimento de apenas 1,9% neste ano, enquanto a dívida pública bruta caminhava para atingir 83,2% do PIB.
Lula passou os últimos quatro anos tentando transformar o BRICS em um contrapeso a Washington, incluindo discussões sobre a realização de transações comerciais sem o dólar americano. Ao discursar nas Nações Unidas, em 22 de setembro, ele afirmou aos líderes mundiais que o Brasil estaria aberto à cooperação no combate ao crime organizado, mas rejeitaria qualquer “intervenção estrangeira”.
Poucas vezes um segundo turno apresentou uma escolha tão clara. Um candidato quer alinhar o Brasil a Milei e Bukele, enquanto o outro prefere mantê-lo à mesa do BRICS, ao lado de Pequim. O vencedor definirá os rumos do Brasil pelo restante da década.

A oportunidade no Brasil não está em criar algo novo, mas em finalmente permitir que um dos países mais ricos em recursos naturais do mundo alcance um desempenho mais próximo de seu verdadeiro potencial.
O Brasil sobreviveu a décadas de estatismo e continuou sendo um gigante. É o maior exportador mundial de soja e café. A maior parte de sua eletricidade vem de hidrelétricas e outras fontes renováveis, enquanto suas reservas de petróleo do pré-sal, localizadas em águas profundas, o colocaram entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo. O país concentra aproximadamente um oitavo da água doce do planeta, e sua população faz dele o maior mercado consumidor interno da América Latina.
Toda essa riqueza está sendo desperdiçada sob o peso da forte intervenção estatal. De acordo com as edições mais recentes do Índice Global de Complexidade Empresarial, elaborado pelo TMF Group, o Brasil aparece consistentemente entre os países mais complexos do mundo para fazer negócios. Embora possua a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas da China, suas minas produziram apenas cerca de 560 toneladas em 2024. Essa diferença entre o potencial do Brasil e sua produção efetiva é o preço de uma estrutura estatal que dificulta os investimentos e eleva os custos.
Um governo que reduza a burocracia e receba de braços abertos o capital estrangeiro permitiria que as fazendas e minas brasileiras crescessem no ritmo que seus recursos possibilitam, sem precisar criar uma única indústria nova.
Para os expats, a região que continuo acompanhando de perto é o Nordeste. Fortaleza e as praias do Ceará atraem há anos brasileiros que deixam o Sul, onde o custo de vida é mais elevado, e os preços dos imóveis na região continuam mais baixos do que em São Paulo ou no Rio de Janeiro. A ironia é que o Nordeste vota em Lula, que conquistou 63,3% dos votos no Ceará no domingo. O crescimento da região foi impulsionado pelo capital privado que migrou para o Norte, e um governo em Brasília que acolha esses investimentos aceleraria o processo que o próprio mercado iniciou.
Em março de 2026, escrevi sobre a guinada à direita na América Latina e o início da era pós-socialista. Uma vitória de Flávio teria um peso regional maior do que a de seu pai em 2018, devido aos líderes que estariam ao seu redor. Jair governou praticamente sozinho. Flávio assumiria a Presidência em janeiro de 2027 com Milei e Peña nos países vizinhos e o apoio de Washington.
Brasil e Argentina representam a maior parte da economia do Mercosul, mas Lula e Milei não tiveram uma reunião bilateral desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. Lula chegou a não comparecer à assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, realizada em Assunção, em janeiro, após mais de 25 anos de negociações.
Quando Milei assinou seu próprio acordo comercial com Washington, o governo Lula analisou se o acordo violava as regras do bloco. Até mesmo o presidente de esquerda do Uruguai, Yamandú Orsi, defendeu, em março, a flexibilização das regras do Mercosul, dando aos países-membros maior liberdade para buscar oportunidades comerciais, especialmente na Ásia.
Com Flávio em Brasília, os dois maiores membros do Mercosul passariam a defender a mesma direção pela primeira vez em anos. A expectativa seria de um bloco que permitisse aos seus integrantes firmar acordos comerciais independentes, começando pelos Estados Unidos.

A adesão do Brasil ao Escudo das Américas preencheria uma das maiores lacunas geográficas da coalizão e integraria o maior país da América do Sul ao bloco de segurança regional que está se formando.
Quando Trump reuniu 12 líderes regionais no Trump National Doral, em 7 de março de 2026, para lançar o Escudo das Américas, Brasil, México e Colômbia ficaram de fora. Cinco meses depois, a Colômbia aderiu à iniciativa. O recém-eleito presidente colombiano, De la Espriella, entrou para a coalizão em seu primeiro dia de mandato, em 7 de agosto de 2026, e designou Medellín como o centro operacional da coalizão na Colômbia. Em seguida, Washington propôs um pacote de assistência à segurança de US$ 1 bilhão para o país, sujeito à aprovação do Congresso americano.
O Brasil é o próximo da lista. Flávio prometeu na Casa Branca, em maio, que o Brasil aderiria à iniciativa caso vencesse as eleições, e reafirmou esse compromisso em 23 de setembro de 2026. Isso deixaria o México como o último dos três grandes países ausentes.
O Brasil faz fronteira com todos os países da América do Sul, exceto Chile e Equador. O Primeiro Comando da Capital (PCC) é sua maior facção criminosa e mantém operações em países vizinhos, incluindo o Paraguai. Se o Brasil ficar de fora, as facções expulsas da Colômbia e do Equador terão o maior país do continente como território para se reorganizarem. Se o Brasil aderir, a coalizão terá uma área de atuação que se estenderá de Bogotá a Buenos Aires.
Washington voltou a fazer do Hemisfério Ocidental uma prioridade. E o Brasil é a peça mais cobiçada nessa disputa. O país é membro fundador do BRICS, e a China é seu maior parceiro comercial. Sob o governo Lula, Brasília também tem defendido a realização de transações comerciais em moedas diferentes do dólar americano.
O programa de governo de Flávio não menciona o BRICS uma única vez. Em vez disso, assume o compromisso de retomar os esforços para a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Flávio também prometeu manter uma relação economicamente pragmática com a China, sem alinhar automaticamente o Brasil a Pequim ou Washington. O que mudaria seria a direção da política externa brasileira. Um Brasil integrado ao Escudo das Américas e negociando um acordo de livre comércio com Washington deixaria de ser o principal pilar do BRICS no Hemisfério Ocidental.
As terras raras mostram o que está em jogo. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, atrás apenas da China, enquanto os chineses controlam mais de 90% da capacidade global de refino desses minerais. Em abril de 2026, a USA Rare Earth concordou em adquirir a Serra Verde em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, e o negócio foi concluído em setembro de 2026. A Serra Verde é a única mina em operação no Brasil que extrai terras raras de argilas iônicas. Um governo que receba de braços abertos o capital americano nesse setor ajudaria a reduzir o domínio da China sobre um recurso do qual todas as economias modernas dependem.
O comércio internacional é a outra frente dessa disputa. Washington impôs tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros neste verão, e Lula classificou a medida como uma interferência. Flávio negociaria como aliado dos Estados Unidos, e os exportadores brasileiros teriam chances muito maiores de conseguir a retirada dessas tarifas.

Continuei investindo no Brasil durante os anos de governo Lula porque minha aposta estava nos fundamentos do país, e não em sua política. E essa aposta deu certo.
Continuei investindo no Brasil durante os anos de governo Lula porque sabia que os fundamentos do país eram fortes o suficiente para resistir ao socialismo, e esses investimentos deram resultados melhores do que eu esperava. Depois do resultado de domingo, eu colocaria o Brasil no topo da lista de países que qualquer expat deveria acompanhar de perto. E o restante da América Latina está seguindo pelo mesmo caminho.
Os brasileiros acabaram de colocar em primeiro lugar um candidato de direita que promete reduzir o tamanho do Estado, abrir a economia ao capital estrangeiro e retomar o controle das ruas dominadas pelas facções criminosas.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro de 2026, e uma vitória de Flávio colocaria o livre mercado e o combate rigoroso à criminalidade no centro das políticas da maior economia da América Latina. Com o Brasil integrado ao Escudo das Américas e aberto aos investidores estrangeiros, a maior economia da América do Sul finalmente se alinharia ao grupo de países que defendem políticas pró-mercado e uma atuação firme na segurança pública.
O Brasil é apenas uma entre muitas oportunidades. A América Latina já conta com destinos consolidados para expats, com programas de residência acessíveis e sistemas de tributação territorial, e a guinada à direita está tornando toda a região mais previsível. Se você deseja avaliar suas opções, baixe nosso relatório especial gratuito sobre Residências Plan-B e Cidadanias Instantâneas.
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Written by Mikkel Thorup
Mikkel Thorup é o consultor expatriado mais procurado do mundo. Ele concentra-se em ajudar clientes privados de alta rede a mitigar legalmente as obrigações fiscais, obter uma segunda residência e cidadania, e reunir uma carteira de investimentos estrangeiros, incluindo bens imobiliários internacionais, plantações de madeira, terrenos agrícolas e outros ativos corpóreos de dinheiro vivo. Mikkel é o Fundador e CEO da Expat Money®, uma empresa privada de consultoria iniciada em 2017. Ele acolhe o popular podcast semanal, o Expat Money Show, e escreveu o #1 Best Seller Expat Secrets - How To Pay Zero Taxes, Live Overseas And Make Giant Piles Of Money.
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