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Bolívia Acompanha A Mudança Da América Latina Se Afasta Do Socialismo

Escrito por Mikkel Thorup | 13 March 2026

Um ano atrás, a política bolivariana estava em caos — em 26 de junho de 2024, soldados com tanques tomaram as ruas de La Paz em uma tentativa de golpe. O plano fracassou em poucas horas, mas expôs a profunda instabilidade em que o país havia se transformado após anos de governo socialista. O Movimento para o Socialismo (MAS), partido que governou a Bolívia por quase duas décadas sob a liderança de Evo Morales, posteriormente, de Luis Arce, deixou o país em um caos econômico e destruiu a confiança pública em todas as instituições políticas.

Agora, nas eleições presidenciais realizadas em 20 de outubro de 2025, os bolivianos praticamente varreram o partido MAS do mapa político. Rodrigo Paz Pereira, um reformista de centro e defensor da economia de mercado, foi eleito o novo presidente com 54,6% dos votos. Com seu baixo apoio popular, o partido MAS sequer conseguiu apresentar um candidato.

Neste artigo, exploraremos a vitória do presidente Pereira e o que ela significa para a Bolívia e a região.   

 

Após anos de turbulência política, Rodrigo Paz Pereira emerge como o rosto de uma nova Bolívia, pragmática, reformista e determinada a reconstruir as instituições enfraquecidas por décadas de socialismo

O FIM DE UMA ERA: POR QUE (MAS) NÃO PARTICIPOU DAS ELEIÇÕES  

Pela primeira vez desde 2005, o partido governista MAS sequer figurou na cédula presidencial. O Tribunal Constitucional impediu Evo Morales de concorrer após anos de desrespeito aos limites de mandato, e o presidente Luis Arce retirou sua candidatura em meio a disputas internas e queda vertiginosa de popularidade. O partido, que outrora gozava da lealdade absoluta dos sindicatos e dos eleitores rurais, desintegrou-se em meio às suas próprias contradições, tornando-se um mero instrumento de corrupção e rendas econômicas.

A ausência de um candidato foi um ato de exaustão, não uma estratégia política. A verdadeira virada veio dos cidadãos comuns da Bolívia. Jovens, profissionais e moradores das cidades que cresceram sob o regime do MAS finalmente assumiram o controle do cenário político. Cansado ​​de ouvir slogans, o povo exigiu um futuro com empregos promissores, estabilidade e oportunidades. A geração mais velha nas áreas rurais permaneceu leal ao MAS, mas cidades como La Paz, Santa Cruz, Cochabamba e Tarija votaram maciçamente pela mudança. 

 

O PRESIDENTE REFORMISTA: RODRIGO PAZ PEREIRA

Rodrigo Paz Pereira, de 58 anos, oferece aos bolivianos experiência e soluções práticas para seus problemas mais significativos. Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, estudou economia nos Estados Unidos e foi prefeito de Tarija antes de se tornar senador. Durante sua campanha, priorizou a criação de oportunidades reais para os bolivianos em vez de slogans políticos:

“Ideologia não coloca comida na mesa”, disse ele aos seus apoiadores. “O que são o direito ao trabalho, instituições fortes, segurança jurídica e respeito à propriedade privada?”

Essa mensagem se tornou um farol de esperança para os bolivianos cansados ​​de slogans, mas ávidos por resultados. Sua vitória sobre o ex-presidente Jorge "Tuto" Quiroga sinaliza a ascensão de um centro político moderado, reformista e orientado para o mercado na Bolívia.

Em uma clara demonstração de seu compromisso com os valores democráticos, Paz Pereira anunciou que não convidará as ditaduras de Cuba, Venezuela e Nicarágua para sua posse presidencial em 8 de novembro, um gesto simbólico que distancia a Bolívia de regimes autoritários e reafirma sua postura pró-democracia na região.

 

A AGENDA DE REFORMAS DA PAZ

Embora Paz seja um estadista pragmático, seu plano de reformas é bastante ambicioso. Seu objetivo é transformar a Bolívia de uma economia controlada pelo Estado para uma economia impulsionada pela produtividade e pela iniciativa privada.

A liberalização econômica é uma de suas principais prioridades. Ele planeja simplificar os impostos, reduzir a burocracia e ajudar as empresas do setor informal, onde trabalham mais de 70% dos bolivianos, a ingressarem na economia formal.

Ele também promete disciplina fiscal. Paz pretende cortar subsídios desnecessários, especialmente os de combustíveis, ao mesmo tempo que protege as famílias de baixa renda por meio de apoio direto e direcionado, em vez de auxílios generalizados.

Os setores de mineração e energia são o tesouro da Bolívia. Paz quer atrair investidores privados e estrangeiros para desenvolver as vastas reservas de lítio do país. Ele promete transparência e parcerias nesses setores, substituindo os monopólios estatais que fracassaram durante os anos do MAS.

Restabelecer o Estado de Direito está no topo da sua agenda política. Fortalecer a independência judicial e utilizar ferramentas digitais para tornar os gastos públicos mais transparentes estão entre as promessas anticorrupção mais populares do Presidente Paz.

Por fim, Paz apoia uma maior abertura comercial. Ele pretende reconstruir as relações com os mercados regionais e globais por meio de novos tratados de investimento e projetos de infraestrutura que conectem a Bolívia mais estreitamente aos seus vizinhos.

 

REPOSICIONAMENTO DA BOLÍVIA NA GEOPOLÍTICA GLOBAL

Sob os governos de Morales e Arce, a política externa da Bolívia oscilou entre retórica antiocidental e forte dependência da China. O presidente Paz promete uma mudança clara de rumo. Em declaração ao El País, ele afirmou: "Espero que a Bolívia retorne ao mundo e que o mundo retorne à Bolívia.”

Isso significa construir laços mais fortes com os Estados Unidos e a Europa, buscar acordos comerciais que atendam aos interesses da Bolívia e reavaliar as relações com a China. Seu governo planeja transformar as exportações de lítio, gás natural e produtos agrícolas em instrumentos de integração, e não de isolamento.

A Bolívia não quer mais ser uma ponte ideológica entre Caracas e Moscou. Seu objetivo é se tornar um ator confiável no comércio global e uma democracia andina que valoriza acordos em vez de retórica.

 

O presidente eleito, Rodrigo Paz, comemora sua vitória com sua família

DESAFIOS PELA FRENTE

Apesar de todas as ondas políticas positivas, Paz herda uma economia frágil. A inflação galopante, próxima de 20%, as reservas cambiais esgotadas e os pesados ​​subsídios aos combustíveis que drenam as finanças públicas são apenas a ponta do iceberg. Seu partido não possui maioria legislativa, o que o obriga a formar coalizões com centristas e conservadores moderados. O MAS ainda controla governos locais e sindicatos poderosos, e a burocracia resiste à mudança. Esses não são obstáculos pequenos. Mesmo assim, a Bolívia possui grandes recursos e os apoiadores de Paz parecem prontos para uma mudança radical em busca de um futuro melhor.

 

POR QUE ISSO É IMPORTANTE PARA EXPATRIADOS E INVESTIDORES

A vitória de Paz não transformará instantaneamente a Bolívia em um importante destino para expatriados. No entanto, sua importância fica clara quando analisada como parte do contexto mais amplo da América Latina. A Bolívia está passando por uma transição rumo a reformas de mercado e maior influência global, um afastamento drástico de grande parte de seu passado socialista. A caminhada da Bolívia em direção à liberdade econômica é especialmente notável para um país que antes era visto como parte da "Maré Rosa" socialista da região.

Se as reformas de Paz se consolidarem, a Bolívia poderá atrair novos investimentos rapidamente. Seu potencial econômico é imenso. O país poderia, eventualmente, lançar projetos de lítio e energia, aumentar a produção agrícola em suas terras férteis, desenvolver o turismo em Santa Cruz e Tarija e transformar a Bolívia em um centro logístico entre Brasil, Paraguai e Chile por meio de novas rotas comerciais. Claro, ainda é cedo para esperar qualquer coisa, mas a Bolívia deve estar na sua lista de observação para futuros desenvolvimentos. 

 

As ruas de La Paz e Santa Cruz explodem em comemoração enquanto os bolivianos votam pela mudança, pondo fim a duas décadas de domínio socialista e abrindo caminho para uma nova era de democracia e reforma de mercado

CONCLUSÃO

A eleição de 2025 na Bolívia foi mais do que uma vitória política para os reformistas; foi um ponto de virada para o país. Os bolivianos escolheram a liberdade e a integração global em vez do estatismo e do isolamento. Essa mudança pacífica inspirou esperança em outras nações que ainda lutam sob a opressão estatal. A vitória de Paz alinha-se a uma guinada à direita na América Latina, onde mais países estão se voltando para mercados abertos, estabilidade política e liberdade individual.

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